“Tá na hora dos alunos mostrarem com um movimento politico organizado que também sabem falar”

Como alguns alunos já sabem esse ano fomos privilegiados com a seleção do Enade.
Acho que tá na hora de fazer barulho, pelo boicote ao Enade.
Nunca temos oportunidade de sermos ouvidos, acho que essa seria uma boa oportunidade de mostrar que temos ação politica. Mesmo porque alguns professores já andam preocupados e querendo convencer dá importância do enade. Óbvio mais preocupado com o interesse deles.
Tá na hora dos alunos mostrarem com um movimento politico organizado que também sabem falar.

Segue textos sobre sete motivos para boicotar o Enade do Carta Pública.

Comentário postado por Tavares, em 28/08/2014 às 12:11 pm

CARTA PÚBLICA: SETE MOTIVOS PARA BOICOTAR O ENADE
Esta prova envolve estudantes dos primeiros e últimos semestres dos cursos de graduação, dentre os quais, em diversos estados, os cursos de Psicologia foram selecionados para compor o exame.

Este texto tentará expor, de forma resumida e simples, sete motivos para o boicote da prova do ENADE, seja este boicote por estudantes da psicologia ou outros cursos, público ou privado.

1 – O ENADE TEM UM CARATÉR PUNITIVO
O Exame segue a lógica do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (SINAES), que procura penalizar os cursos mal-avaliados. Um curso mal avaliado tem que assinar um termo de responsabilidade assinado pela instituição, que garante que o curso vai dar uma solução aos problemas que ela apresentou. Caso ela não consiga se superar, haverá cortes nos investimentos. Ora, mas se um curso apresenta problemas a lógica não deveria ser justamente a oposta, a de investimento?
Outra questão aqui é que o Estado não diz de que forma a superação dos problemas deve se dar. Isto dá margem para a justificativa da privatização do ensino superior e público, além de colocar o Estado como um observador-regulador da educação, e não enquanto gestor e financiador desta.
2 – O ENADE NÃO AVALIA OS PROBLEMAS A SEREM SUPERADOS
O ENADE centra sua avaliação no desempenho individual dos estudantes, considerando, assim, que os problemas da universidade são meramente curriculares. O ENADE não avalia o que está bom e o que está ruim de um modo mais amplos, o exame calcula apenas a média das provas para dizer qual o “conceito” do curso, se é um, dois, três, quatro ou cinco. E isso não faz diferença nenhuma pra quem quer descobrir as deficiências de cada curso e investir em resolvê-las,
Avaliação deveria ser pautada nos problemas que queremos superar, precisa captar onde estão faltando estrutura, materiais e outros recursos necessários, precisa apontar quais conteúdos indispensáveis estão ficando de fora, precisa colocar em discussão os métodos pedagógicos que precisam ser melhorados para a nossa formação profissional, precisa dizer o que está errado e o que pode ser melhor no rumo que os nossos cursos têm.
3 – O ENADE DESCONSIDERA AS PARTICULARIDADES REGIONAIS
Mesmo que orientado pela Lei de Diretrizes e Bases, que organiza de forma geral o ensino dos cursos de graduação, a prova do ENADE é única para todos os estudantes do Brasil inteiro. Significa dizer que avaliação desconsidera as particularidades sociais, políticas, econômicas e culturais entre as diversas regiões brasileiras. Entendemos que o ensino dos diferentes cursos se dá justamente de forma diferente e que a pluralidade e diversidade devem ser, além de respeitados, valorizados. Defendemos a construção de uma ciência atenta às necessidades específicas dos mais diversos contextos sociais e culturais que se diferenciam bastante entre estados e regiões do país, que respeite as singularidades de cada local.
4– FALTA DE AUTONOMIA
Aliada a desconsideração das particularidades regionais, existe a questão da falta de autonomia. Cada universidade deve ter o direito de avaliar seus problemas de acordo com suas próprias características, e isso tem muita pouca relevância no resultado final da avaliação da qual o ENADE faz parte. Não faz sentido que o MEC imponha às universidades como deve ser o conhecimento produzido nela, para que ela tenha qualidade. O MEC deveria respeitar a dinâmica de cada universidade, dar recursos para que essa possa resultar num ensino de qualidade, e avaliar onde está ruim para que mais recursos sejam investindo, resolvendo os problemas constatados.
5 – É REALIZADO UM RANQUEAMENTO DO ENSINO
O resultado da prova é utilizado para construir um conceito, que contribui para o se elencar um ranking das universidades. Este ranking pode ser utilizado para privilegiar os cursos e universidades com melhores resultados em detrimento dos cursos com menores resultados. A excelência é construída de forma excludente e punitiva. Entretanto, um curso sem um conceito não pode fazer parte do ranking.
Outro uso dado para esta classificação, principalmente nas universidades privadas, é para o marketing das instituições privadas, propagandeando suas notas em revistas e outdoors, em uma lógica de que a avaliação sirva apenas como garantia de promover o seu “produto”. Conceitos altos, ainda, são utilizados para justificar aumentos abusivos de mensalidade por instituições privadas. A educação como direito é deixado de lado e estimula-se uma concepção de educação como um bem de consumo.
5– O BOICOTE É UM ATO POLÍTICO
O boicote é um ato político. Boicotar significa não legitimar uma prova que não se refere à qualidade de ensino. Quem faz o ENADE tem sua formação negligenciada, pois ele não atesta a real avaliação que a comunidade universitária historicamente exige. Boicotar e deixar claro que está sendo realizado um boicote é uma forma de mostrar ao SINAIS que estamos descontentes com a forma punitiva e descontextual que o ensino superior está sendo avaliado e tratado. Além de que um curso sem uma classificação em um conceito não recebe punição nenhuma.
Boicotar o ENADE é uma forma de sinalizar insatisfação com todo o sistema de avaliação. Mas por mais que ele surja efeitos imediatos, a longo prazo não basta, e é por isso que é importante aproveitar este período de campanha de boicote, pra falar também sobre a importância de criarmos outras formas de avaliação. A luta não apenas contra o ENADE, mas também contra o SINAES. Mas é preciso ficar claro: o coração do SINAES é o ENADE! Por isto é importante se unir a outras instâncias e coletivos para construir um movimento de resistência.
7 – QUEM BOICOTA A PROVA NÃO É PUNIDO!!!
Quem comparece à prova, mas não a faz não é punido e ainda tem a oportunidade de deixar explicitada sua posição contrária a uma avaliação limítrofe. É falsa a notícia de que quem boicota a prova tem seu diploma retido, ou tem sua nota divulgada no mesmo ou qualquer outra forma de punição. Para obter a liberação basta comparecer a prova e preencher o cabeçalho do gabarito.
Ainda, os estudantes de Universidades Pagas não perdem suas eventuais bolsas PROUNI nem o FIES. Entretanto, quem estuda em um curso ainda não reconhecido pelo MEC pode trazer problemas à sua Universidade, boicotando o ENADE. O curso pode não ser reconhecido se não tiver nota.
COMO BOICOTAR O ENADE EM CINCO PASSOS SIMPLES:
1 – Compareça pontualmente ao local da prova.
2 – Assine a lista de presença. Cole na prova um adesivo ou escreva “Boicote ao ENADE! Por uma avaliação de verdade”.
3 – Preencha o cabeçalho do gabarito e entregue a prova em branco.
4 – Vá para a praia, para o cinema, se encontre com seus amigos ou simplesmente volte a dormir.
5 – Organize-se! Procure se integrar, fazer parte ou acompanhar algum coletivo que faça minimamente uma discussão sobre o ENADE e o SINAIS, e que se proponha a estar construindo um movimento de resistência.

Boicotemos, pois! Em defesa da qualidade da nossa educação!

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