Carta de repúdio do Movimento pela Creche na Unifesp

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Ninãs zapatistas.

Nós, do Movimento por Creche na UNIFESP, repudiamos a todos e todas que, na Congregação do dia 06/02/14, se manifestaram votando contra a presença de três crianças e um bebê no ambiente que ocorreu a Congregação. Repudiamos as ofensas proferidas por docentes-membros em sessão e após o encerramento dela. Repudiamos a culpabilização das mães. Repudiamos a declaração em rede social da Direção Acadêmica que, utilizando-se do e-mail institucional, manipulou acusações mentirosas para mascarar atitudes machistas e reprodutoras da opressão contra as estudantes-mães!!!

O machismo acabou! As questões de classe também! Profere-se aos sete ventos. Mas as mulheres pobres têm jornada tripla: responsáveis pelo trabalho doméstico, cuidado dos filhos e trabalho remunerado. Na universidade essa jornada aumenta, pois além dessa carga, nós também estudamos. Nós, mulheres, queremos participar sim! dos espaços políticos. Saímos dos espaços privados. Fomos trabalhar. Hoje nos inserimos nas universidades, inclusive aquelas destinadas às elites brasileiras, as tais universidades publicas. Mas, para alem de estudar, queremos fazer política nas universidades. Somos mulheres publicas, políticas e politizadas! A atitude manifesta da congregação privou as mães daquele espaço político!

Ontem (06/02/14), na Universidade Federal de São Paulo, campus Guarulhos, estavam previstas uma Congregação que deliberaria diversas pautas – entre elas o projeto de moradia e outros espaços estudantis no campus definitivo em construção (bairro do Pimentas) – uma peça teatral infantil e uma aula do departamento de pedagogia, estas ultimas, contando com participação central de crianças.

Algumas mães, para participarem desta sessão, levaram seus filhos à Congregação (quatro crianças), o que mudou todo o seguimento da mesma. Após as crianças se acomodarem em roda e pegarem livros para leitura foi colocado em discussão o encerramento imediato da sessão dada à presença de crianças. Alguns professores presentes acusaram a ação das mães de imoral afirmando exclusividade na preocupação do bem-estar das crianças, ressaltando recorrentemente a displicência das mães presentes e exposição que as mesmas estavam submetendo seus filhos.

Após votarem pelo fim da congregação e fechamento da mesma apenas para membros, excluindo os demais da comunidade acadêmica de participação política, continuaram acusações, entre elas que as mães estariam usando as crianças para uma causa, chegando à comparação esdrúxula do diretor acadêmico: “trazer sua filha pra aquele espaço é o mesmo que um pai levar o filho num prostíbulo”.

Nós denunciamos e exigimos o reconhecimento público de todas essas atitudes por parte da congregação. A direção acadêmica disponibilizou um áudio da sessão que contém apenas as falas feitas no microfone como meio de se isentarem de suas atitudes conservadoras e antidemocráticas, manipulando as informações e nos acusando de mentir. Mesmo nesta gravação parcial se observa uma postura autoritária diante da escolha das mães sobre sua participação política, sendo representantes ou não neste conselho, e se querem ou não que seus filhos participem daquele espaço!

Não nos calaremos!Queremos sim estar nos espaços políticos e esse direito deve estar garantido!

Movimento pela Creche na Unifesp

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