Manifesto à Reitora Soraya Smaili

Reitora desta universidade, não há muito, o véu democrático, que repousa sobre os pilares da Unifesp, foram manchados com a prisão de 46 estudantes no dia 06 de junho de 2012 e, poucos dias depois, em 14 de junho deste mesmo ano, quando na prisão de mais 25 estudantes. Os dois lamentáveis eventos se deram no campus de Guarulhos, no bairro dos Pimentas, na periferia de Guarulhos.

É confesso por Vossa Magnificência, Soraya Smaili, que é premente o processo de privatização do ensino no Brasil. Certamente é de conhecimento da Reitora, como não deveria deixar de ser, diante da ampla divulgação nos meios de comunicação, que o campus de Guarulhos, desde a sua origem, padece das mais elementares condições de infraestrutura, sequer há um prédio para as atividades acadêmicas.

Diante de condições tão carentes de uma verdadeira universidade é difícil, até mesmo quase impossível, esperar a tranquilidade ou a complacência de quem sente cotidianamente o direito à educação sendo arrancado.

Uma reitora, eleita sob as bandeiras da pluralidade e da democracia, de certo compreenderá a revolta, não de criminosos e baderneiros, como rotularam os verdadeiros depredadores da universidade, mas de jovens estudantes que em essência tomaram para si a tarefa de defender a educação pública ao se manifestarem e exigirem do governo federal melhores condições de ensino.

No jornal da Unifesp de dezembro de 2013, na carta da reitora, fala-se em avaliação com o objetivo de “sedimentar os acertos” e “corrigir os equívocos”. O maior erro cometido pela reitoria foi ter permitido a prisão dos estudantes, e ainda incorre nesse erro quando mantém os processos disciplinares, o que dirá o processo criminal.

A quem chamam de criminosos? Os que lutam por um bem coletivo? A esses cobram disciplina? Nada mais pavoroso! É a imposição de uma disciplina militar, autoritária. Somente um regime despótico elabora seu código de conduta e pune, à prisão, os que destoam do regulamento. Onde está a democracia? Onde está garantido o direito de divergir?

A universidade agiu com coerção! É essa a universidade que a reitora quer? São essas as “diretrizes que orientarão a vida universitária no próximo período”?

Evidentemente que uma reitora democrática não pode compactuar com tamanha barbaridade! O chamado para o I Congresso que reformará o estatuto e o regimento geral da universidade deve responder, de forma prioritária, a essa violência. Deve banir o Código de Conduta Estudantil.

E, acima de tudo, que se anulem imediatamente todos os processos aos estudantes da Unifesp, evidenciando de fato o comprometimento, desta gestão democrática, com os interesses verdadeiramente públicos da universidade.

Comitê Estadual Contra a Repressão

Manifesto entregue à Reitora Soraya Smaili durante o “Cara a Cara”, evento convocado pelo CAPB (Centro Acadêmico de Medicina)

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Uma resposta para Manifesto à Reitora Soraya Smaili

  1. Estudantes

    A Unifesp instituiu uma “Comissão da Verdade”.

    Seria oportuno esclarecer à comunidade qual a intenção desta comissão, uma vez que própria Unifesp (no Consu, Congregações, Departamentos, etc…) ameaça estudantes e ainda em parceria com a PM, Polícia Federal e Procuradoria Federal, inclusive na gestão atual que defende reabertura de sindicância interna contra a greve de 2012!

    A maior violência é cometida pela Unifesp contra os estudantes, técnicos-administravos e docentes. Basta ver as péssimas condições de estrutura – de permanência (vide evasão) e de tratamento à saúde da comunidade acadêmica.

    Suicídios ocorreram – notadamente o do Estudantes Luis/Campus Guarulhos – e até o momento nada de esclarecimento. E o pior: nenhuma medida concreta preventiva está sendo adotada, a não ser propaganda de que esta gestão é plural e democrática.

    Se a Unifesp controlada pela Escola Paulista de Medicina é parte responsável pela crise desde 2007 com ápice na Greve de 2012, também esta nova gestão, denominada “Plural e Democrática”, demonstrou em menor tempo sua proposta política: repressão, comendo pelas bordas.

    Não tem saída: ou os estudantes, técnicos-administrativos e docentes – que não acatam as barbaridades dos burocratas de sua categoria – disputam o poder na universidade, ou nada vai mudar e – no caso dos estudantes – submetem sua formação às botas da burocracia patrocinada pela camarilha burocrata docente e que mantém a mesma lógica que predomina nas universidades há séculos e locupletam [ individualmente ou pequenos coletivos ] de verbas públicas, seja qual for o discurso (direita ou esquerda).

    Fica ainda a sugestão de que todos pesquisem as verbas à Unifesp para 2014, enviadas ao Conselho Curador.

    FIM DA MONARQUIA REPRESENTADA PELAS REITORIAS!
    FIM DO PODER DOCENTE NAS UNIVERSIDADES!
    FIM DA REPRESSÃO

    EM DEFESA:

    GOVERNO TRIPARTITE EM TODAS AS INSTÂNCIAS DA UNIVERSIDADE (estudantes, técnicos-administrativos e docentes)
    ELEIÇÕES GERAIS DEMOCRÁTICAS EM FÓRUNS ADEQUADOS: ASSEMBLÉIAS ou CONGRESSOS DA COMUNIDADE ACADÊMICA.
    PROPORCIONALIDADE: MAIORIA ESTUDANTIL

    JBG
    Graduando – Filosofia

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