CARTA DA REPRESENTAÇÃO DISCENTE À CONGREGAÇÃO DA EFLCH

TRIBUNA LIVE – 01/08/2013

Nós, representantes discentes da Congregação de Guarulhos, viemos expressar nessa tribuna livre algumas críticas e reivindicações quanto a atual representatividade existente, ligada a uma concepção hierárquica e uma estrutura institucional antiga (desde os tempos da EPM) e pouco modificada, sendo esta inclusive naturalizada e pouco contestada por aqueles que dela se beneficiam, causando grande incomodo aos que nela são inferiorizados.

Sabemos da necessidade de se estabelecer regras em instancias representativas e deliberativas da universidade, mas isso não quer dizer que as mesmas não podem ser repensadas e modificadas, e nem que essas modificações não podem começar a ser experimentadas nas instancias mais locais, para que a nova ideia se espalhe e alcance grandes proporções pela instituição. Dizemos isso pois, em vias de ser concluída a elaboração do primeiro regimento interno da EFLCH e da congregação de Guarulhos, documento esse que está sendo concluído na gestão de uma chapa que se coloca como mais horizontal, durante o mandato de uma reitora que se diz mais aberta ao diálogo, não vemos grandes mudanças na construção do que vem antes do “plural e democrático”: as regras representativas.

No conjunto das palavras “plural” e “democrático” falta a palavra “paridade” ou “equidade”, que entendemos vir antes, para que o plural (representação dos três setores) e o democrático (todos os participantes têm direito a voz e voto) seja visto por todos como legítimo, para que todos sintam-se realmente representados por essas instancias. Se não ocorre discussão sobre as regras já estabelecidas de representação, o que enfrentamos é muitas vezes discursos de que “essa proposta foi amplamente discutida com representantes dos três setores, tendo a participação de técnicos, docentes e discentes”, sendo que, na prática, o “representante” discente citado muitas vezes não foi ouvido, não teve tempo hábil para articular com os demais alunos representados, não teve sequer como, devido o acumulo de tarefas que tinha que cumprir enquanto estudante. O mesmo serve para os técnicos. Todo esse cenário faz com que representantes discentes muitas vezes desanimem, calem-se, e não vejam mais sentido da sua participação ou, o que é pior, faz com que ele veja que sua participação é mais para legitimar do que para construir junto.

Um exemplo claro foi a aprovação da Minuta do contrato do edifício Torricelli. Não entendemos como todos vocês aqui presentes não ficaram indignados com a forma como isso foi discutido e votado! Isso ocorreu na primeira congregação dos novos representantes (06/06/13), em uma congregação com seu tempo de discussão da pauta prejudicado pela visita da Reitora, onde foi apresentado um slide e não a minuta (documento) em si, sem respostas claras quanto dúvidas apontadas (como a resposta de que a multa do contrato com certeza seria menor que a do contrato do Neymar). A votação foi encaminhada e os presentes, expressando certo cansaço de discutir mais o tema, votaram pela aprovação! Aprovaram o que afinal? Os slides ou a minuta? Por que essa “votação” não apareceu em ata? Por que Daniel diz que aquela votação não era da minuta? Como assinaram o contrato sem que todos tivessem isso claro?

Nós, os novos representantes, temos coletado uma série de informações sobre o assunto, das mais variadas possíveis, já  que o espaço onde deveríamos ser esclarecidos acontecem “atropelos” como a da reunião de junho, e o que vemos nos quatro cantos da EFLCH são dúvidas e mais dúvidas quanto a real necessidade da mudança e quanto as decisões tomadas, principalmente da mudança para o centro de Guarulhos. Há uma série de medidas apontadas, inclusive já utilizadas em outros campi, para minimizar os barulhos e incômodos que uma construção pode ter. Há também relatos de outras propostas (galpão, UNG) que foram apontadas, mas não foram levadas a diante. E, quando chegamos na congregação, o papo já estava direcionado para a locação do Torricelli, sendo que qualquer expressão de dúvidas sobre o tema ou alternativas que apontássemos eram rechaçadas com prontidão, como se não fosse algo importante, e problema nosso se tínhamos dúvidas, se as notícias não chegam para nós com tanta transparência, e vamos seguir com a reunião como se nada tivesse sido questionado.

Não concordamos com a forma como as pautas têm sido encaminhadas, bem como não concordamos com a representação 70,15,15. E, se há um momento para mudarmos isso, esse momento é agora. Nosso representante discente na comissão de regimento interno tem se comunicado conosco, e o que está sendo proposto é apenas “mais do mesmo”, não tendo reflexões e mudanças significativas nessas regras já estabelecidas. O que mais tem nesse documento é “conforme lei X, Y, Z”, mas não há nenhuma proposição significativa de mudança. Nós, estudantes, estamos cansados de discutir coisas imutáveis.

E se a estrutura da universidade é assim mesmo, porque sempre foi assim, podemos achar meios de contestá-la, de darmos mais voz aos três setores que compõem uma universidade. Assim como há diversas categorias de docentes, e todas são contempladas com representantes na congregação e nas demais instancias, há muitos subgrupos dentro do corpo técnico e entre os discentes e, caso os mesmos não tenham mais espaço, suas participações e até mesmo seus papéis de representantes se tornam, vagos, sem sentido. Todos tem outras tarefas para além da congregação, e por isso mesmo todos precisam poder ali se fazer ouvir. E aquela velha história de que alunos ficam menos tempo na instituição e por isso deve ter representação menor que docentes também é questionável. Sabemos que muitas vezes vagas de representas são usados, por qualquer um dos 3 setores, para promover ideias individuais, inclusive de professores, que passam pela vaga e não introduzem seu sucessor. Então por que não pensarmos uma nova forma? problematizarmos o que não dá certo hoje? como melhorar?

E se nos disserem “sempre foi assim e sempre será”, então desculpem-nos, mas os discentes continuarão gritando por “paridade” “equidade”, e o diálogo continuará sendo um diálogo entre surdos. Sendo assim, como as atuais reuniões da congregação estão sempre dentro dessa estrutura hierárquica, não temos como aprovar suas atas, que sempre mostram resultados de votações, com representações desiguais, “legitimadas” pelos três setores.

Queremos discutir amplamente essa representatividade! Queremos participar da organização desses espaços de discussão!

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