Hospital modelo tem espera em pé de 9 horas

Unifesp, que administra a unidade, admite que a média de ocupação está até 160% acima da capacidade

Macas e cadeiras de rodas com pacientes nos corredores, doentes e acompanhantes em pé à espera da triagem para o atendimento, pois não há assentos vazios. Esse é o retrato do pronto-socorro do Hospital São Paulo.

Localizado na Vila Clementino, Zona Sul, o São Paulo é o hospital universitário da Unifesp (antiga Escola Paulista de Medicina). O centro médico é considerado uma referência no atendimento de emergências.

Mas o título não condiz com a realidade. A própria instituição admite que o serviço “está sobrecarregado devido à procura exagerada de pacientes encaminhados de outros locais” e pela procura espontânea de doentes. O DIÁRIO esteve no hospital na tarde da última quarta e constatou a superlotação. A Unifesp diz que a unidade está com ocupação “150% a 160% acima da capacidade”.

SOFRIMENTO / Uma das pessoas que sofreu com essa situação foi o motoboy Jorge Cordeiro Moura, de 37 anos, que trincou o joelho em um acidente na Avenida dos Bandeirantes, Zona Sul.  Ele deu entrada no hospital  às 8h02 e somente às 17h20, após realizar exames e ter de aguardar algumas horas os resultados em uma maca no corredor do PS (utilizando agasalhos como travesseiro), recebeu a notícia de que seu caso exigia cirurgia.

O repórter ouviu um auxiliar de enfermagem dizer que ele teria de ficar no corredor da ala de ortopedia pois, além dos 16 leitos ocupados do setor, havia mais 11 pacientes em macas fora dos quartos. Jorge precisou aguardar a transferência para outro hospital, pois no São Paulo não havia previsão para a cirurgia. “Ficamos em uma situação horrível aqui. Não temos nem direito a acompanhante”, desabafou Jorge. “É isso que dá depender da saúde pública.”

A Unifesp afirma que “diariamente, em média, entre dez a 15 pacientes aguardam procedimentos cirúrgicos de urgência”. Jorge acabou transferido na sexta-feira para o Hospital Geral de Itapecerica, na Grande São Paulo, e aguarda o agendamento para a cirurgia.

Sindicato reclama de demora na unidade gerenciada pela USP
O HU (Hospital Universitário), na Cidade Universitária, Zona Oeste, é o outro hospital universitário da cidade. No local, o DIÁRIO não encontrou grandes filas de espera nem macas nos corredores. O Sintusp (Sindicato dos Funcionários da USP), porém, alega que seus integrantes levam, em algumas ocasiões, mais de três horas para conseguir atendimento no PS da unidade.

Em nota, o HU diz que usa a triagem com classificação de risco, que divide os pacientes de acordo com a gravidade e dá prioridade aos casos mais graves. Além disso, o hospital afirma que “a média de tempo para atendimento varia de acordo com a classificação de risco e está dentro do protocolo”. “Os pacientes classificados como laranja e vermelho são atendidos imediatamente em setor reservado”.

Fonte: Diário de São Paulo

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