A exceção e a regra

“Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos diante do cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso
Mas não se esqueçam
de que o abuso é sempre a regra.”

O título e o poema acima são de Bertolt Brecht (Antologia Poética, Editora Elo, 1983, pag. 15), sem dúvida: um poeta visionário!

Basta acompanhar os últimos acontecimentos proporcionados pela burocracia em nossa universidade: prisão 6 de junho; violenta repressão no 14 de junho; suicídio de um jovem estudante; decisão Torricelli-Anhanguera sem Audiência Pública; trapalhada da UNG, confirmando que tratam estudantes como boiada; consulta dúplice; calendário eleitoral com diversos Campi em férias ou a entrar – favorecendo os votos da direita para o centro e, para fechar esta pequena lista, a recente greve de fome.

A absoluta falta de sensibilidade das direções burocráticas da Unifesp estão à flor da pele e, para adentrar em uma nova frente contra uma das mais poderosas armas ideológicas a serviço do capital: a universidade, vale fazer uma leitura crítica no texto sobre a Comuna de Paris, escrito por Guy Debord; Attila Kotànyi e Raoul Vaneigem, intitulado “Teses sobre a Comuna de Paris”.

[…] “A Comuna mostra como os defensores do velho mundo
beneficiam sempre, de um modo ou de outro, da cumplicidade dos
revolucionários; e sobretudo daqueles que pensam a revolução. Os
próprios revolucionários pensam como eles. O velho mundo guarda
assim as bases (a ideologia, a linguagem, os costumes, os gostos) no
desenvolvimento de seus inimigos, e serve-se delas para
reconquistar o terreno perdido. (Só lhe escapa para sempre o
pensamento em atos próprio ao proletariado revolucionário: o
Tribunal de Contas ardeu). A verdadeira “quinta coluna” está no
próprio espírito dos revolucionários.” [1]

É de conhecimento público que a classe dominante na luta para se manter no poder, utiliza-se de duas poderosas armas: a força bélica e a ideologia. Esta segunda opção, principalmente em tempo de “paz”, abre espaço para atuações ardilosa e oportunista, na base da cooptação, formando os conhecidos quinta-colunas, tratado neste pequeno fragmento sobre a Comuna de Paris.

Com isto, seguindo a mesma lógica das artes e religiões, este outro poder, a universidade, joga pesado. Na Unifesp não é diferente e desde 2007 uma parcela dos estudantes aponta indícios precisos da utilização desta forma de domínio, que percorre desde os primórdios da EPM até as direções mais recentes.

Impressiona, embora comum ao longo da história, como uma instituição pública é capaz de reproduzir o que existe de mais miserável na busca do ser humano por poder ou ainda pela manutenção do ossinho, das migalhas e carguinhos, formando uma rede de sustentação focada na cultura do mais profundo individualismo e entreguismo, levando o homem a ser lobo do próprio homem.

Há tempo se constata que burocracia em todas as suas dimensões, tem enorme dificuldade em dialogar com “gente comum” e ainda fazem de tudo para “cooptar” os incautos e desavisados, utilizando-se de todas as armas para aniquilar quem ousa ficar à sua frente.

As ferramentas ideológicas utilizadas por este setor minoritário de cientistas sociais, próximas de um maquiavelismo rebaixado, impressionam: uso da caneta acadêmica; assistencialismo – poderosa arma num ambiente onde todos conhecem os problemas socioeconômicos dos estudantes; campanhas falaciosas envolvendo machismo, racismo sem a menor discussão crítica e, quando tudo isto falha: baixam a repressão aos que ousam desafiá-los, sejam técnicos, estudantes ou mesmo docentes.

Nesta toada, recrutados por este grupo minoritário de docentes, vários estudantes sequer ficam ruborizados quando são pegos fazendo traquinagem a serviço destes mestres e, lamentável, acham que dá pra tapar o sol com a peneira.

O mais curioso é este grupo sustenta argumentos detalhadamente pensados contra pessoas e organizações políticas, se fazendo de apartidários, numa monumental teia de mentiras, contrainformações, intrigas e fofocas. Isto tudo como se não agissem como partidos de direita, com práticas próximas ao fascismo.

Esta será a próxima guerra contra este setor que não esta para brincadeira e quem tiver dúvida, basta ver a postura de parte destes ideólogos do atraso. Após a derrocada da reitoria e diretoria acadêmica: abandonaram o navio que nem ratos.

E se inicia com a proposta de trazer à baila uma destas táticas, genuinamente academicista unifespiana, agora apoiada por alguns partidos políticos e estudantes incautos: primeiro os fatos, depois a versão ardilosa lattessauriana.

[1] O texto completo está disponível no sítio: http://www.sinaldemenos.org.

Editorial Unifesp Livre

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