Carta aberta dos estudantes de Pedagogia à Comunidade EFLCH

Nós, estudantes do curso de Pedagogia, da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH), da Universidade Federal de São Paulo, reunidos em assembleia geral, no dia 16 de abril de 2013, colocamos nossa posição e propostas referentes à transferência deste campus, situado no bairro Pimentas, em Guarulhos, para o centro da referida cidade.

Primeiramente, nos colocamos favoráveis à ampliação e democratização da educação, porém consideramos que a política educacional do Governo Federal para o ensino superior, o Reuni, no qual a Unifesp foi expandida, como outras universidades federais, não previu planejamento de infraestrutura (salas de aula suficientes, bibliotecas, espaços de interação, salas para grupos de estudos, pesquisas e extensão), políticas efetivas de ações afirmativas (creches, restaurantes universitários, moradias universitárias), quantidade suficiente de professores e de técnicos administrativos em educação. O que condicionou os trabalhadores da universidade e estudantes a graves situações de precarização dos ambientes de ensino, pesquisa e extensão.

Estas condições, presentes em todos os campi da Unifesp, foram aprofundadas por relações de privilégio, por parte da burocracia dirigente desta universidade, como de setores ingressantes que pretendiam manter estas relações. Fato disso é a reserva no orçamento da universidade, no ano de 2011, para o campus Guarulhos ser de R$ 800.000,00, enquanto para o campus São Paulo, R$ 17.000.000,00. E, durante o processo de expansão, em todos os campi da Unifesp foram feitas inúmeras greves, quase que anualmente denunciando a precarização. Tendo alardeada a crise da Unifesp no ano de 2012, iniciando-se no campus Guarulhos a greve nacional das universidades federais, mantendo a denúncia contra o projeto do Governo Federal e aos setores privilegiados.

Neste período, o debate se polarizou a justificativas, por parte de um grupo, de que nossas condições são causadas em função da localização da EFLCH num bairro da periferia, por vezes chamado “sem cultura” e que não era ambiente para desenvolver os estudos nas Ciências Humanas. Enquanto grande parte dos setores mobilizados, por vezes envolvidos no relacionamento da EFLCH com o bairro mantiveram seu posicionamento de que há condições de estarmos na atual localização, pois o problema é o projeto do Governo Federal, o Reuni. Nisso, foi realizado um Colóquio, que debateu a permanência da EFLCH no bairro Pimentas, foi realizada uma audiência pública sobre o tema e foi reiterada a posição de que esta Escola permanece neste bairro.

Após a greve, que durou do dia 22 de março a 10 de setembro de 2012, um dos encaminhamentos da pauta foi cumprido: a construção do prédio da EFLCH. Ainda assim, foi bastante conflituoso pois durante o processo licitatório os envelopes das empresas que construiriam o prédio estava vazio, o que causou reabertura da licitação, além de grande indignação da comunidade acadêmica, pois sabia da demora dos tramites e, finalmente, houve empresa vencedora para a construção do edifício. Ressaltamos que houve vários processos de abertura de licitação desde 2007.

As obras, previstas a se iniciarem em junho, colocaram setores do campus em outra perspectiva: de derrota, para aqueles que pretendiam manter seus projetos de elitização longe do bairro Pimentas, e de questionamento para outra grande parte – para onde iremos durante a construção?

Nisso, a Congregação da EFLCH, instância máxima de decisão do campus, reunida no dia 04 de abril de 2013, decidiu a saída para o prédio do colégio Torricelli, pertencente ao complexo educacional Anhanguera, de origem privada. Essa decisão, no entanto, não contemplou os estudantes representantes, pois não havia acúmulo de discussões para que tivéssemos convicção na escolha da saída.

Assim, os estudantes de Pedagogia, repudiam a decisão da Congregação da EFLCH por não ter feito amplamente o debate em relação à transferência para o prédio Torricelli, no centro de Guarulhos. Ainda assim, consideramos que não há possibilidade alguma de permanecermos no terreno onde haverá as obras do prédio no bairro Pimentas. E, nisso, destacamos nossa posição e os elementos essenciais para que nossa transferência tenha qualidade.

  1. Que a saída seja obrigatoriamente temporária e tenha a duração exata do período de construção do prédio da EFLCH no bairro dos Pimentas, com nossa volta imediata após a conclusão da obra;
  2. Que o serviço “Ponte Orca – EMTU” se mantenha, para transportar estudantes e funcionários à unidade temporária da EFLCH, com funcionamento de interregno de 10 minutos e que seja feito um estudo junto aos estudantes sobre o uso do transporte, avaliando, considerando e viabilizando aos estudantes residentes no bairro dos Pimentas e aos estudantes residentes na cidade de São Paulo;
  3. Além disso, este transporte deve funcionar para os estudantes de vários cursos que realizam estágio em horário inverso ao de estudos, assim como os estudantes de Pedagogia que realizam a Residência Pedagógica em várias escolas no bairro Pimentas e diversas outras atividades que manterão sua realização no bairro, como a Unidade Curricular Práticas Pedagógicas Programadas, Pibid, projetos de extensão, cursinho popular.

Em nosso retorno à EFLCH no bairro dos Pimentas, exigimos:

  1. Que todos os cursos conjuntamente retornem ao campus definitivo, em nome do projeto pedagógico de consolidação da EFLCH;
  2. Que haja restaurante universitário, com estrutura e alimentos de boa qualidade;
  3. Creche, com estrutura (espaços, mobiliário, dormitório, refeitório para as crianças pequenas) para as estudantes e trabalhadoras mães;
  4. Biblioteca com acervo ampliado e espaço para estudos;
  5. Salas de aulas, com recursos instrucionais (computadores, datashow) isolamento acústico e de temperatura devidos;
  6. Laboratório ampliado de informática, que atenda a demanda e computadores novos e sem problemas técnicos, com mais impressoras e máquinas de cópias;
  7. Espaços de interação dos estudantes, para o desenvolvimento de nossas atividades políticas, culturais e projetos de estudo;
  8. Moradia estudantil dentro ou próxima ao campus;
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