Sobre a precarização na UEPB

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A principal bandeira de luta do movimento grevista – contra a precarização da educação – é questionada por algumas pessoas que argumentam que esta praticamente não existe  na UEPB (como afirmou o reitor na última reunião do CONSUNI).

No entanto, se a concepção de precarização for além da sua circunscrição aos vínculos contratuais e se apoiar na recente literatura da sociologia do trabalho, que define a precarização do ensino superior como contemplando a “(…) rotina das atividades de ensino, pesquisa e extensão que compõe propriamente o fazer acadêmico” (BOSI, 2007*), é evidente que a UEPB vivencia, sim, diversas formas de precarização.

E mais: ela está presente nos distintos campi, sob as mais variadas formas. Exemplos disso: número de salas de aula insuficiente,  ausência de laboratórios, inexistência de residência e restaurante universitário em 7 dos 8 campi da UEPB (além das aviltantes condições da residência do Campus I), ausência de ambiente para os/as professores/as atenderem/orientarem os/as alunos/as, etc.

É importante explicitar que essa precarização do ensino superior não se restringe à nossa universidade, mas é parte de um processo mais amplo de reestruturação do mundo do trabalho e de contrarreforma universitária em curso.

Neste quadro, cabe-nos refletir, resistir e defender o patrimônio que é a universidade pública (como fizeram, por exemplo, colegas das universidades federais, em suas reivindicações grevistas no ano passado).

Desse modo, é o enfrentamento do quadro de precarização vivenciado na UEPB que a atual greve reivindica. Isso passa, obviamente, pelo cumprimento da lei da autonomia pelo governo do estado. No entanto, vai muito além: requer outras medidas  – de curto, médio e longo prazo -, envolvendo questões relacionadas à democratização da gestão; à melhoria da infraestrutura dos campi; ao respeito à autonomia departamental; ao fortalecimento do ensino, da pesquisa e da extensão; à consolidação da política de assistência estudantil; ao reajuste salarial, entre outros.

Neste sentido, cumpre alertar que a melhoria da assistência estudantil, distante de ser uma mera “demagogia” do movimento grevista, como sugerem alguns, se coloca como um dos pontos de reivindicação porque, como docentes não vivem “isolados” em bolhas, os problemas que afetam a COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA também nos dizem respeito. As fragilidades da assistência estudantil repercutem na vida dos/as discentes e se evidenciam no cotidiano das salas de aula.

Queremos discutir o modelo de universidade: pautada no tripé ensino-pesquisa-extensão; democrática; com controle social; ética e socialmente referenciada.

Fonte: Blog do Comando de Greve UEPB

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