A UJC NA GESTÃO DO DCE UNIFESP

 

A UJC compõe a atual gestão do DCE Unifesp, Vez da Voz, por enxergar nela a possibilidade de um esforço comum com setores do movimento estudantil desta universidade interessados em defender a pauta dos estudantes. Como por melhorias na infraestrutura acadêmica, construção de moradias estudantis e ampliação dos auxílios-permanência, bem como em promover a articulação com outras entidades e agrupamentos políticos que constroem a luta, tanto dos estudantes quanto de professores e técnicos.

Ao mesmo tempo, é certo que a atual gestão, não se trata de uma aliança entre setores da esquerda. Desde o momento em que a Vez da Voz era ainda uma chapa, era clara a diversidade de interpretações em torno do programa e do caráter político que esta teria, e que se buscaria manter durante a gestão. Estamos cientes de que a contribuição teórica da UJC quanto ao caráter conservador e elitista da universidade, bem como da educação no Brasil em geral, não pode ficar limitada à inserção na gestão. Pelo contrário, devemos nos articular a partir da base, com compromisso em construir sem medo um verdadeiro congresso estudantil, a mais importante instância deliberativa do movimento, a mais capaz de pautar efetivamente questões relativas à perspectiva de enfrentamento à subordinação da universidade ao Capital. Capaz também de organizar o ME de forma que elimine o formato político atual, tão sujeito às articulações de grupos vanguardistas sectários e oportunistas.

A preparação para este evento não pode se dar em apenas quatro meses, como deseja parte da gestão do DCE, iniciando a construção com as entidades em junho para realizá-lo já em novembro deste ano. A preparação de um Congresso requer um longo tempo de preparação, que inclua plenárias envolvendo todos os estudantes para a definição dos temas que os interessam, prazo para a inscrição de delegados, bem como para que estes defendam suas propostas antes de serem votados, além do tempo necessário para que os interessados na apresentação de teses (muitas vezes estudantes que trabalham e perdem tempo no trânsito no traslado de ida e volta de seu campus) se organizem para fazê-lo. Muitas destas tarefas, como a da viabilização do financiamento do Congresso, requer a formação de comissões específicas, o que muitas vezes pode levar algum tempo, por isso, começar a pautar a questão a partir de junho apenas, pode soar a alguém de bom senso como algo fora da realidade. Para que, afinal, serve um Congresso, do ponto de vista da atual gestão do DCE?

A UJC E SUAS FRENTES DE LUTA

Desde sua fundação, em 1927, a UJC se pautou pela luta junto ao povo, sendo até os dias de hoje um princípio fundamental de sua organização a participação em frentes de jovens trabalhadores e estudantes. Defendendo ou retomando plataformas antigas, como o respeito à liberdade e autonomia sindicais, a não participação do Brasil em guerras imperialistas, a solidariedade a Cuba Socialista, a democracia interna nas universidades, bem como sua autonomia frente aos interesses do Capital e maior ligação com as demandas da classe trabalhadora.

Na atual conjuntura do capitalismo, marcado por uma longa e profunda crise de acumulação que atinge todo o mundo, traz consigo um acirramento simultâneo da luta de classes. Quando os capitalistas se articulam com organismos nacionais e internacionais em prol da retirada de conquistas históricas dos trabalhadores, e dos conflitos entre Estados Nacionais, que atualmente assume a forma de guerras dos EUA e Europa contra países mais pobres e que não dispõem do controle da tecnologia bélica no mesmo grau que os primeiros, mas com grande disponibilidade de recursos naturais de forte utilização na grande indústria, mão de obra e mercados exploráveis, fatores de produção cujo controle interessa aos países centrais dentro do imperialismo, que, além disso, podem aumentar sua influência política sobre todo o mundo, a custa de massacres e perdas materiais para povos inteiros. Assim devem ser entendidos contextos de guerras recentes como as do imperialismo contra a Síria, Líbia e Mali, e também outras ofensivas menos recentes que se intensificaram no início do século, em casos como o do Afeganistão, Iraque e Colômbia, país onde mais se prende e assassina sindicalistas no mundo.

Nas universidades atualmente também se expressam as distorções de uma economia capitalista, por mais que o foco dos ataques do neoliberalismo a direitos constitucionalmente estabelecidos no Brasil, como aquele a uma educação pública, gratuita e de qualidade, não esteja no centro das medidas que se destinam a restabelecer o pleno funcionamento do Capital. Mas não deixa de ser algo de grande importância a ser observado o fato de vivermos um momento de expansão do ensino superior onde vemos, por um lado, a expansão de novas unidades de universidades públicas em condições cada vez mais precárias, com grades curriculares que se destinam a economizar custos em contratação de professores e falta de edifícios acadêmicos e financiamento em permanência estudantil. Por outro um amplo setor das universidades públicas, bem como a maioria das privadas recebendo vultosos investimentos na forma de ações, seja por interesses de pesquisa em novas tecnologias por parte de grandes empresas (o primeiro caso), ou a absorção de parte significativa da renda de um amplo setor da juventude e da população em geral que busca a rápida inserção no mercado de trabalho (o segundo caso, com a agravante de que estas instituições privadas de ensino recebem financiamento público, via programas como o Prouni).

Construir o movimento estudantil no Brasil, do qual a Unifesp é apenas uma parte. Significa para nós estar atento para todos estes problemas, se articular com estudantes de escolas públicas em torno das reivindicações urgentes por melhorias na educação básica, ampliar a consciência geral, mas principalmente de uma classe trabalhadora que cada vez mais conquista seu espaço nas instituições de ensino superior. Para os problemas colocados ao país pela dominação burguesa, concentrando a análise em seus efeitos sobre a educação.

O I Congresso dos Estudantes da Unifesp, ainda sem data marcada, mas que acontecerá ainda neste ano, é a oportunidade perfeita para que tantos temas relevantes da atualidade sejam colocados em pauta. Mas para que consigamos cumprir com este objetivo de modo satisfatório o evento precisará contar com uma construção ampla, e temos a convicção de que isso não se dará em apenas quatro meses.

PELA GESTÃO DEMOCRÁTICA DO DCE!

O atual estatuto do DCE, apesar de cumprir com o objetivo de reunir em um Conselho Representativo todas as entidades de base dos estudantes da graduação, que são os CAs e DAs,  carece, em sua estrutura interna, de instrumentos que permitam a eleição de coordenadores pelo critério da representação dos estudantes de seu campus, bem como mecanismos mais simples para a destituição de mandatos no caso de descumprimento de compromissos assumidos com a base.

A UJC apóia a instituição dos Conselhos de Base como instância executiva do DCE nos campus. Entendemos que a maior parte das coordenadorias deve funcionar sob este sistema, tendo os coordenadores eleitos pelos Conselhos o mesmo poder de deliberação nas gestões que os integrantes das chapas eleitas.

Outra vantagem da eleição de coordenadorias por campus, com limitação do número de coordenadores eleitos, é que isso impossibilita a tática aparelhista do convite às candidaturas pelo critério da relação pessoal e não política, tanto interna quanto externamente à chapa. Em outras palavras: impossibilita a inscrição e candidatos nas chapas pelo critério de quantos votos pode obter, não pelo que se compromete a fazer em prol da construção do movimento estudantil.

Cumprindo as regras de funcionamento do atual Estatuto do DCE, buscaremos o apoio do maior número possível de entidades estudantis para uma Assembleia Geral, onde possamos debater um novo estatuto para o DCE, com potencial de democratizar e fortalecer a entidade.

Disposição e compromisso: os dois elementos fundamentais para a real unificação das lutas estudantis

A UJC, ao divulgar este caderno informativo, mostra a todos os estudantes quem está realmente disposto a militar em prol de um efetivo movimento estudantil na Unifesp, envolvendo todos os campus.

Não se trata apenas de nós. Falamos aqui de todo estudante que realmente busca transformar a sociedade, lutando contra o despotismo do grande capital e sua inserção na educação nacional, nos solidarizando ainda com outros movimentos e entidades, de dentro e fora do país, que almejam os mesmos objetivos que nós.

Da mesma forma como atualmente expressamos nossas ideias, estamos convencidos de que apenas o que produzimos não basta. Por isso nosso verdadeiro compromisso e da gestão do DCE, que lutamos para ver concretizado pelo esforço conjunto dos estudantes, é o de abrirmos mais canais de diálogo e deliberação do movimento estudantil.

Todos ao Congresso! Vamos construir uma Universidade Popular!

Fonte: UJC São Paulo

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