Unifesp também terá sua Comissão da Verdade

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) vai criar a sua própria Comissão da Verdade. O objetivo é apurar eventuais casos de professores, alunos e funcionários que tenham sido perseguidos pela ditadura militar, entre 1964 e 1985.

“Queremos conhecer a verdade sobre aquele período e, se houver necessidade, fazer as devidas reparações históricas”, diz a reitora Soraya Smaili. “Os estudantes precisam saber o que a ditadura representou para aquela geração e sobre a importância de suas lutas para a democracia. Como já se disse, é preciso lembrar, para que não se repita mais.”

O trabalho da comissão irá focalizar o que ocorreu na Escola Paulista de Medicina (EPM) – o embrião da Unifesp. Um dos casos mais notórios de perseguição política em sua história foi o de Marcos Lindemberg, diretor da instituição entre 1959 e 1963.

Naquela época, sob o governo do presidente João Goulart, a EPM já era tratada como núcleo formador da futura universidade. Lindenberg foi nomeado reitor em 1962 e deu logo início à missão de implantar um projeto universitário nos moldes da recém-criada Universidade Nacional de Brasília (UnB), com ênfase em currículos interdisciplinares.

O processo causava polêmica na EPM. Parte do corpo docente se opunha à expansão da escola, com a criação de novas faculdades e a ampliação do campus para cidades do ABC Paulista.

O impasse teve um desfecho dramático com o golpe de 1964 e a deposição de Goulart. Os militares que assumiram o poder extinguiram o projeto da universidade e, após a realização de um inquérito policial militar (IPM), aposentaram compulsoriamente Lindemberg, que hoje dá nome ao anfiteatro da universidade.

Além de Lindemberg, a comissão deve analisar outros casos de perseguidos políticos. É provável que o levantamento acabe apontando nomes de professores que depuseram contra o reitor no IPM.

O anúncio público da criação da comissão foi feito pela própria reitora, durante uma audiência pública da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão Estadual Rubens Paiva, na segunda-feira (25), em São Paulo. Na mesa de autoridades convidadas encontrava-se Eleonora Menicucci, ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, professora da Unifesp e ex-presa política.

Fonte: Estadão

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