Gestão e Congresso: Uma questão de compromisso (Nota de esclarecimento à chapa Unifesp Livre)

02/12/2012 por

A chapa Unifesp Livre veio a público com um texto veiculado nas redes sociais no qual coloca uma série de inverdades e equívocos que merecem devido esclarecimento, tanto acerca do processo eleitoral, quanto das propostas da chapa Vez da Voz, também candidata às eleições do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UNIFESP a serem realizadas a partir do próximo dia 03 de dezembro. Não pretendemos entrar no mérito dos motivos que levaram a tal publicação, apenas responde-la de forma pontual.

1º. O processo eleitoral foi decidido e iniciado pelo CR-DCE (Conselho Representativo, formado pelas entidades de base, como centros acadêmicos) de diversos campi, num momento posterior à greve. Qualquer grupo de estudantes, cumprindo os critérios estipulados pelo estatuto geral do DCE e pelo regimento das eleições, pode participar do processo de eleições. Os estudantes que se envolvem com a construção de uma chapa e decidem participar do processo eleitoral o fazem, e merecem fazer, de forma plena, sem estar submetidos a qualquer tipo de coerção moral, difamação, calúnia, ou constrangimento, pois é mais do que um direito estatutário, trata-se um importante gesto de comprometimento perante o Movimento Estudantil.

2º. Nenhuma chapa, por estar inscrita no processo, pode ser considerada responsável pelo processo eleitoral em si. Entretanto, espera-se que as chapas inscritas tenham coerência em disputar por aquilo que genuinamente fortalecerá os Estudantes da Unifesp, isto é, primar por sua unidade, construção coletiva, e respeito mútuo.

3º. Desde sua concepção, a chapa Vez da Voz entende que o atual modelo de Diretório Central não é o ideal. Porém a decisão de chamar as eleições partiu do Conselho Representativo, que, depois de quase dois anos discutindo a construção de um Congresso que reformulasse o estatuto do DCE, chegou à conclusão de que seria preciso uma gestão que tocasse essa tarefa. Nossa proposta de chapa foi amplamente discutida nesses marcos, e sempre nos colocamos publicamente favoráveis à construção do Iº Congresso dos Estudantes da Unifesp.

4º. Os integrantes da chapa Unifesp Livre, por ser composta unicamente por estudantes do campus Guarulhos, generalizam o Movimento Estudantil na Universidade Federal de São Paulo. Analisam que a situação do Campus Guarulhos é a mesma dos demais. Buscam justificar, dessa forma, um chamado à construção imediata de um Congresso Estudantil. Temos a caracterização de que essa é uma política equivocada, e que pode levar a graves distorções na representatividade e participação no mesmo. Caso o Congresso fosse chamado, digamos, para o próximo mês, quantos estudantes poderiam apresentar teses sobre o funcionamento do M.E. e da própria Universidade Federal de São Paulo?

Quantos delegados seriam eleitos? De onde viria o dinheiro para a realização do Congresso? Qual a vantagem de chamar um Congresso possivelmente esvaziado?

Na prática, a proposta apresentada pela chapa Unifesp Livre, de suspender as eleições e chamar o Congresso de forma atropelada, inviabilizaria qualquer representatividade oficial para o conjunto dos Estudantes pelo próximo período.

É a opinião majoritária dos setores que compuseram a discussão em torno da reforma do DCE, nestes quase dois anos, de que uma gestão eleita tem a melhor localização política e capacidade organizacional para dar cabo a tal tarefa: a construção de um congresso que seja verdadeiramente vitorioso, com delegados eleitos na base, discussões prévias, teses qualificadas, etc.

5º. Nos causa pesar que integrantes da chapa Unifesp Livre, tendo conhecido nossas propostas antes mesmo da inscrição de nossa chapa, insistam em distorcê-las, generaliza-las, ou pior, buscar desqualificá-las com falsas polêmicas, como acerca da construção de um Congresso, como da eleição da professora Soraya Smaili. Muitos de nós, alguns integrantes da chapa Vez da Voz, e outras centenas de estudantes de toda a Universidade, declaramos voto em sua candidatura à reitoria. O que não significa, entretanto, passar um cheque em branco. Afirmar isso, não é só subestimar a inteligência dos estudantes, como também questionar sua moral – o que é absolutamente inadmissível. Aceitamos participar do pleito com total clareza de que um Diretório Central dos Estudantes assim se chama por representar o interesse dos próprios Estudantes.

Posto isto, esperamos ter sanado as principais dúvidas em torno da questão. Não podemos deixar de lamentar, contudo, a não participação da chapa Unifesp Livre nos debates convocados pela comissão eleitoral, mesmo quando estavam presentes nos locais em que estes seriam realizados. Muitas dos equívocos expostos teriam sido esclarecidos com uma simples discussão, clara e aberta à participação e ao julgo do conjunto dos estudantes.

Chapa Vez da Voz

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