Representantes Discentes nos Conselhos da Unifesp – 2012

Representantes Discentes nos Conselhos da Unifesp

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Uma resposta para Representantes Discentes nos Conselhos da Unifesp – 2012

  1. Aos colegas da Congregação

    Algumas considerações nesta que poderá ser a última reunião desta congregação, caso a próxima seja contemplada com novas representações, no caso, estudantis.

    1. A crise da Unifesp que perdura desde 2007, tendo seu ápice em 2012, não será a última. As contradições de uma farsa chamada “autonomia e democratização das universidades federais” antecedem qualquer movimento estudantil, de técnicos ou docentes, seja com “outros métodos” ou a luta direta, com greves, passeatas e ocupações.

    2. Saindo um pouco desta “macro-estrutura” e indo diretamente para a realidade dentro deste Campi – não conhecemos os demais, prevalece a mesma lógica perversa, onde meia dúzia de docentes impõe via métodos burocráticos, carreiristas e repressivos, todos os demais sujeitos sob uma pesada “bota ideológica”, algumas vezes escancarada – basta ver a famosa carta à Folha de São Paulo – um “magnífico” tiro no pé, uma vez que veladamente defendiam a PM no Campus de Guarulhos. Este ato insano, fez o que o Movimento Estudantil não teve sucesso: uma lista enorme de apoio de docentes do Brasil afora.

    3. A única alternativa para sair deste estado de coisas, sem demagogia, será a constante rebeldia dos jovens estudantes da Unifesp, mesmo aqueles que vez ou outra vacilam na onda conservadora, típica deste país.

    4. Desta forma, após oxigenação tanto da Reitoria como Diretoria deste Campus – embora ainda sob a batuta de um Estatuto e Regimento Geral conservador, cheios de intenções e que favorecem grupos ou mesmo pessoas, devem ser acompanhadas atentamente.

    5. Ante que alguém de forma oportunista diga que estou defendendo as novas gestões, reitero nossa posição que está aberta para debates: estas novas gestões se viabilizaram tendo como pano de fundo o escancaramento da enorme crise da Unifesp seja estrutural ou da prática monárquica. Foram justamente os estudantes do Campus Pimentas, na sua rebeldia jovial, os verdadeiros protagonistas desta virada histórica na Unifesp.

    6. Agora, após sucessivas derrotas da direita mais raivosa desta universidade, os ESTUDANTES, TÉCNICOS E DOCENTES comprometidos com uma Universidade Pública, Gratuita, Universal e de Boa Qualidade, TEM UMA GRANDE OPORTUNIDADE de transformações. Para tanto, tem de abandonar este papo de “ultras e selvagens”, saindo do oportunismo de que votar é a solução, prática conhecido em nossa democracia brasileira, onde – tá comprovado, que voto não muda nada, uma vez que permanece o mesmo regime e sua teia de corrupção, característica umbilical do regime capistalista.

    7. Outro registro importante e que merece repúdio: a BARBARA REPRESSÃO DA PM quando da invasão do Campus em 14 de junho de 2012. A maior farsa que uma burocracia doentia poderia ter produzido, justamente contra aqueles que são os responsáveis direta ou indiretamente pelos pequenos avanços deste Campus. Esta farsa somente foi desvendada devido às imagens da truculencia policial, decorrente do mais famoso FACTÓIDE engendrado nesta universidade: que a mesma estava sendo destruida e, antes dos tiros de balas, bombas de efeito moral e outros recursos conhecidos nos movimentos de massa, não tinha sequer UM VIDRO QUEBRADO NA UNIFESP PIMENTAS. Quem ainda tem dúvidas, seria oportuno rever as imagens que derrubaram tanto o Reitor, quanto o Diretor deste Campus e, mais, décadas de uma gestão à frente da EPM, agora Unifesp.

    8. O mais engraçado é que, sem exceção, todos reconhecem os problemas da Unifesp, e particularmente dos Pimentas. Quem ainda tiver dúvidas estude os panfletos das Chapas concorrentes à Reitoria da Unifesp e Diretoria Acadêmica dos Pimentas e vão se certificar que o diagnótico, ou caracterização, são praticamente iguais.

    9. Outro fato que deverá ficar nos registros históricos desta universidade, e deve ser encarada com a maior seriedade é a morte do nosso companheiro Luiz – sabidamante um paciente que aguardava sua consulta, como muitos outros estudantes – talvez as próximas vítimas deste mundo selvagem.

    10. Não poderia deixar de registrar algo que pensam que esquecemos: a falta de representantes estudantis nesta Congregação. Qualquer debruçada com vontade política sobre a Lei, Estatuto e Regimento Geral, sem viés ou tergiversações, revelam que estamos com a verdade: faltam estudantes. Portanto, sujeita todas as votações anteriores a revisão – este é o medo desta instituição. Temos de trazer todas as listas de votações e ver que, em alguns momentos, existiam 7 (sete) técnicos votando, portanto, deveria – pela mesma lei – existir a paridade estudantil.

    11. Apenas para ilustrar um das votações de “quase empate”, trazemos o exemplo que abriu o caminho para nova discussão sobre permanência ou não da Unifesp nos Pimentas. Esta proposta certamente seria derrotada com os votos estudantis. Um absurdo que no remete ao período áureo da ditadura: o conhecido CASUÍSMO e, temos de estar atentos com o “canto da sereia – uma vez que esta na pauta a mudança e/ou divisão do Campus para o centro de Guarulhos. Neste ambiente é que será preparado o bote para a famosa consulta e, não nos esqueçamos: a nova reitoria disse que “os Campi tem autonomia”. Portanto, fiquemos atentos.

    12. Outro fato grave, teremos eleições gerais para os Conselhos Centrais e Campi. É o momento de todos fazerem uma profunda reflexão. Não tem mais sentido que professores indiquem candidatos aos diversos conselhos.

    13. E para além destas indicações, temos de fazer uma ampla campanha contra o VOTO CABRESTO, ou seja, aquele voto sutilmente obtido nas salas de aula, a favor de estudantes comprometidos com seus mestres. Pensamos que, professor vota em professor, técnico vota em técnico e estudante vota em estudantes,devendo existir autonomia plena de cada categoria.

    14. Existem vários históricos desta influência de alguns docentes em sala de aulas e, a sua continuidade ou não, vamos vivenciar nestas próximas eleições gerais. Portanto: fiquem atentos quanto à origem dos CANDIDATOS DISCENTES. Fiquem atentos aos sutis discursos de alguns professores em aulas e corredores da Unifesp, vamos iniciar uma ampla campanha contra qualquer influência de outra categoria nas eleições de representantes estudantis.

    15. CONGREGAÇÃO: sendo otimistas, deveremos ter “mudança de ares” neste colegiado, que poderá oxigenar as próximas decisões. Acreditamos que novos representantes possam aproveitar este momento e contribuir com esta universidade, trazendo mais condições para que os assuntos a serem tratados neste ambiente de “novas gestões”, plurais e democráticas, sejam de SUJEITOS PARA SUJEITOS e, não como atualmente, de sujeitos para objetos.

    16. ATAS DA CONGREGAÇÃO: este assunto não poderia ficar de fora. Fazemos a defesa para que todas as ATAS do Consu e Congregações sejam transcritas. Será a única forma de registrar a história e as transformações desta universidade, revelando inclusive os embates entre forças conservadores e progressistas. Registrar apenas o resultado é uma forma perversa de esconder o voto conservador, ardiloso e baseado na mais pura reação a qualquer transformação. Para quem é contra, perguntamos: qual o receio? Afinal, trata-se de uma reunião pública e não privada. Quem ainda tiver dúvidas sobre a importância do registro histórico das ATAS, indicamos a obra do Professor Dermeval Saviani: Histórias das Idéias Pedagógicas no Brasil – Editora Autores-Associados.

    Representante Discente na Congregação
    Mandato: 2012/2013

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